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Pe. Adalton Pereira de Castro - Pároco
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CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2007

 

Fraternidade e Amazônia

“Vida e missão neste chão”

 

 

 

FRATERNIDADE E AMAZÔNIA

Dom Eduardo Koaik (*)

 

“Amazônia e Fraternidade” é um tema-desafio, apresentado como “um convite para que se conheça, se aprecie e se respeite toda a vida que a Amazônia guarda: seus povos, sua biodiversidade, sua beleza”. O que é mesmo a Amazônia? Uma dádiva de Deus de todo tamanho nas mãos do Brasil. A Campanha em seu favor é a favor de toda a humanidade. É um grande apelo, por parte da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), contra a devastação de suas florestas, contra a ameaça à sua exuberante biodiversidade, contra a ocupação de suas terras em flagrante desrespeito ao ecossistema. Ser contra a prática de todas essas formas de violência é a única maneira de proteger esse riquíssimo patrimônio natural.

Essa Campanha é também um grande grito em defesa dos povos originários das terras: índios, caboclos, ribeirinhos que sofrem a perda de seu espaço vital e o esmagamento de ricas culturas. Há que se proteger as populações da Amazônia, por parte dos que nela enxergam os interesses do capital: madeira, minérios, biodiversidade. Há os que a querem intocável sob o pretexto de considerá-la “pulmão do mundo”. “Hoje, assistimos à tentativa, sempre decidida fora da Amazônia, de realizar o milagre de juntar os dois interesses por meio do chamado ‘desenvolvimento sustentável’: desenvolvimento sem devastação ambiental, no respeito aos direitos das populações tradicionais, cujo desenvolvimento, reduzido ao econômico e de caráter capitalista, é sempre o primeiro e mais importante critério de referência”.

       Eis o nó da questão: na busca de alcançar o desenvolvimento chamado, talvez impropriamente, de “sustentável”, persegue-se o único caminho do modelo neoliberal baseado numa visão economicista que sempre prioriza o econômico em detrimento do social. Em conflito com esta visão unilateral está uma outra que podemos chamar de visão integral que tem sempre presente, nos investimentos a serem realizados, os impactos sociais, ambientais e culturais. O desenvolvimento econômico que ignora a sociedade como um todo não será chamado de sustentável. Somos prisioneiros do modelo neoliberal: só é possível fazer o bolo crescer com concentração de renda e aumento da desigualdade.

O desafio que os conservadores não aceitam: fazer política de desenvolvimento que não separe o crescimento, a  redistribuição de renda e a proteção ao meio ambiente. A Campanha da Fraternidade, ao longo dos seus 43 anos, tem mostrado que, na missão de inculturar o Evangelho, a Igreja, conjuntamente com outras forças da sociedade, vem procurando trabalhar na linha do desenvolvimento integral que, na definição de Paulo VI, consiste no desenvolvimento “do homem todo e de todos os homens”, expressão cunhada na Encíclica com o título: “O Desenvolvimento dos Povos”. Mas, para tanto, ainda como ensina o mesmo Pontífice em outra Encíclica “Evangelii Nuntiandi”, é preciso (...) “chegar a atingir e como que a modificar, pela força do Evangelho, os critérios de julgar, os valores que contam, os centros de interesse, as linhas de pensamento, as fontes inspiradoras e os modelos de vida da humanidade que se apresentam em contraste com a Palavra de Deus”. Por essa direção lança-se a Campanha da Fraternidade: “quer propor um caminho quaresmal de conversão, que leve a optar por um novo estilo de vida, austero, acolhedor e solidário com os pequenos, próprio dos discípulos de Jesus, e por um modelo de desenvolvimento humano construído no respeito e no diálogo com todas as culturas e na convivência carinhosa e cuidadosa  com a natureza”.

       Muito sugestivo o lema da CF/2007: “Vida e Missão neste chão”. O chão amazônico é útero gerador de um meio ambiente pujante, integrando florestas, grandes rios, igarapés, animais selvagens, riquezas minerais e vida humana em misteriosa convivência. Obra de Deus e de mais ninguém. Sim, o homem põe sua mão, sua inteligência e seu coração para colaborar com Ele, fazendo crescer a fraternidade entre todos os seus habitantes. A Amazônia não pode ser tratada como jugo pesado no desenvolvimento do Brasil. É um fascinante pedaço do “gigante pela própria natureza” que ajuda a diferenciar a identidade desse gigante no contexto mundial, por uma invejável exuberância a ser posta a serviço do bem estar de toda a humanidade.

A missão da Igreja na Amazônia que se realiza, desde o séc. XVII até os dias de hoje, é obra de heroísmo silencioso, ainda por ser escrita, para que seja revelada sua valiosa contribuição ao verdadeiro progresso da Nação. “Vida e Missão neste chão”, por esse lema viveram e deram suas vidas, entre muitas, duas figuras que se agigantaram: Chico Mendes, assassinado em 22 de dezembro de 1988, que se tornou símbolo da luta pela causa ecológica, e Irmã Dorothy Stang, martirizada em 12 de Fevereiro de 2005, que trazia escrito em sua camiseta: “a morte da floresta é o fim das nossas vidas”. Para usar a expressão regional, pode-se dizer que suas mortes foram motivadas pela “impunidade que mata gente e desmata floresta”. Renovo a pergunta do início sem deixá-la sem resposta: O que é a Amazônia? Como em todos os rincões, lá também se canta: “o teu futuro espelha essa grandeza...Ó Pátria amada”. Sem dúvida a Amazônia é também a garantia dessa futura grandeza. Nessa grandeza o mundo inteiro "está de olho". Por que? Participemos da Campanha da Fraternidade e ficaremos sabendo.                                 

(*) Bispo emérito de Piracicaba-SP

 

 

 
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