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O músico e maestro Ray
Conniff, 85 anos, morreu dia 12 de outubro de 2002, nos Estados Unidos
em consequência
de um derrame. Seis meses antes, o maestro estava com o lado direito
do corpo paralisado devido a outro derrame. Conniff sentiu-se mal quando
saía de
um restaurante em Los Angeles e foi levado ao hospital, onde morreu.
O maestro, que completaria
86 anos no dia 6 de novembro de 2002, herdou dos pais a paixão pela
música.
Seu pai era mestre e trombonista e sua mãe tocava piano.
No Brasil, esteve 12 vezes e seu último show foi realizado no país no
final do ano passado. Na época, o músico estava promovendo um disco que
fez só com arranjos orquestrais para sucessos do cantor Roberto Carlos.
A primeira experiência
como músico de orquestra foi no ginásio Attleboro. Começou como trombonista
e com o tempo passou a fazer arranjos até tornar-se orquestrador da banda
local. Seu primeiro emprego como músico profissional foi com o "Musical
Skippers", de Dan Murphy, em Boston. Começou tocando trombone, orquestrando
e dirigindo o caminhão do grupo. Depois, mudou-se para Nova York. Em Nova
York trabalhou como trombonista-arranjador de Bunny Berrigan. Em 1939
começou a trabalhar com Bob Crosby e os "Bobcats". Um ano depois foi contratado
por Artie Shaw e depois, por Glen Gray. Após essas duas experiências,
Conniff começou a fazer arranjos para o serviço de rádio das Forças Armadas
dos EUA, onde ficou até 1946. Saiu do Exército e foi orquestrar para Harry
James, com quem trabalhou até o final da década de 40.
Os últimos anos da década de 40 foram os mais apagados da história de
Conniff. Ele parou de fazer arranjos e ganhava a vida - na época era casado
e já tinha três filhos- como orquestrador free-lance e fazendo trabalhos
fora da área musical. A sua grande oportunidade surgiu no começo da década
de 50 quando conheceu Mitch Miller, da Colúmbia Records. Na gravadora,
começou a fazer arranjos e orquestração para outros músicos e para os
discos da Colúmbia. Os maiores sucessos foram "Walkin'In The Rain", "Moonlight
Gambler", entre outros. O sucesso obtido por Conniff em outros discos
incentivou a Colúmbia a lançar um álbum de autoria do maestro. Foi então
que surgiu "'S Wonderful", que ficou na lista dos discos de maior sucesso
por nove meses. Na primavera de 1960, Conniff fez uma turnê de 11 dias
e lotou as principais casas noturnas de Los Angeles e São Francisco. Nesses
concertos, o maestro começou a desenvolver o seu estilo musical, que o
distinguiu como um talentoso arranjador-regente. Ray começou a fazer uso
de um coro vocal como naipe da orquestra e em vez de tocar instrumentos,
os vocalistas soltavam síladas tais como: ba-ba e du-du, que juntas ao
som de um ritmo musical contribuíram para tornar o estilo de Conniff mundialmente
conhecido.
Suas interpretações de clássicos como "Bésame Mucho", "New York, New York"
e "S' Wonderful" foram ouvidas em todo o mundo. Durante uma carreira que
se estendeu por seis décadas, Conniff conquistou com seus sucessos 10
discos de ouro e dois de platina.
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Como arranjador, tornou-se um dos grandes mestres do "easy listening"
e um campeão absoluto dos salões de bailes. Foi também bastante criticado
pelos arranjos suaves e adocicados que dispensava a clássicos como Besame
Mucho, New York, New York, Pretty Woman, que o ajudaram a vender 85 milhões
de discos. Seus críticos enxergavam em seus arranjos, pródigos em metais,
uma mesma interpretação pobre e pasteurizada para os mais diversos gêneros,
como jazz, bossa, rock, bolero, swing etc. Daí porque passou a ser ironizado,
ao lado de Glenn Miller, Burt Bacharach, Chris de Burgh e outros, como
rei dos elevadores, consultórios médicos e salas de espera em geral. Conniff
dizia não ligar. "Não tenho controle sobre o que escrevem."
O fato é que seus arranjos para músicas como Smoke Gets in Your Eyes e
Strangers in The Night embalaram bailinhos de várias gerações, em muitas
partes do mundo, incluindo o Brasil, país pelo qual tinha um carinho especial.
Sua primeira visita ao País foi na década de 60, quando, ao lado de Henry
Mancini, tocou Aquarela do Brasil, Besame Mucho e Somewhere my Love. Voltaria
mais de dez vezes. "Não sei a razão, mas gosto muito de saber que no
Brasil três gerações dançam com minhas músicas", disse em 1999. No
mesmo ano, lançou um disco dedicado à música sertaneja brasileira. Em
Ray Conniff's Country (1999), gravado na Califórnia, o maestro rearranjou
Pense em Mim, É o Amor, Festa de Rodeio, Luar do Sertão, Bem te Vi, No
Rancho Fundo, Entre Tapas e Beijos, entre outras. O disco entrou para
sua longa série de álbuns "regionais", que já incluía homenagens à Rússia,
Venezuela, Grã-Bretanha, além do Brasil em Amor, Amor (1982), Fantástico
(1983), Ray Conniff Live in Rio (1996).
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Sua última passagem foi em setembro de 2001, para duas apresentações no
Credicard Hall, tendo no repertório músicas de Frank Sinatra, Bee Gees,
The Carpenters e Beatles. Estão entre suas últimas aparições públicas.
Ray Conniff, alegre, extrovertido,
simpático. Era assim a sua figura. Fez alegria, romance e encantamento
de muitas gerações. Muitos romances foram embalados por
"La Mer", "Love Is A Many-Splendored Thing", "Love
Letters", "Green Eyes" (Aqueles Olhos Verdes), e muitas
outras canções...
Ray, onde você estiver,
um beijo... e saudades.
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